Os alvos para antimicrobianos devem permitir uma variação “massiva“ dentro do setor pecuário


As ambições de redução do uso de antibióticos na agricultura devem ter em conta a quantidade “massiva” de variação entre os estados membros e também entre as espécies, de acordo com um importante consultor de sustentabilidade pecuária, que destacou também a necessidade premente de digitalizar o setor da saúde animal.

Tendo como pano de fundo um maior foco no bem-estar animal na UE, a EURACTIV conversou com Jude Capper, uma consultora de sustentabilidade pecuária, para ouvir o que tem a dizer sobre a perspetiva básica da saúde animal.

O aumento da resistência antimicrobiana (RAM) é uma crise global iminente, ameaçando a nossa capacidade de tratar doenças infecciosas comuns, resultando em doença prolongada, incapacidade e morte.

Como tal, na sua política alimentar emblemática, a estratégia Farm to Fork (do Prado ao Prato), a Comissão Europeia delineou uma redução de 50% na venda de antimicrobianos para animais de criação e na aquicultura até 2030.

Mas qualquer meta de redução concreta deve abranger as reduções “massivas” já feitas por partes do setor pecuário, e essas diferenças devem ser refletidas na linha de base inicial, disse Capper à EURACTIV.

Com base na sua experiência de trabalho no Reino Unido, Capper enfatizou que muito trabalho já foi feito, tanto a nível governamental como dos transformadores e veterinário, ambos em termos de “racionalização, redução e substituição de antimicrobianos”.

O Tribunal de Contas Europeu publicou um relatório sobre RAM no início deste ano, que concluiu que houve uma diminuição de 20% do uso de antibióticos em animais na Europa durante um período inicial do relatório, de cinco anos. Esse número aumentou agora para 32% para a maioria dos Estados-Membros, de acordo com a Agência Europeia de Medicamentos.

“Algumas indústrias já avançaram muito, como a dos suínos, aves e laticínios, enquanto outras, como a bovina, fizeram muito menos”, destacou a especialista, atribuindo ao facto de a carne bovina ser uma indústria menos integrada, com menos feedback e rastreabilidade entre as etapas individuais do setor.

Capper enfatizou, por isso, que seria injusto e irrefletido em relação aos diferentes ganhos obtidos a definição, neste momento, de linhas de base globais.

“Seria injusto para os produtores de suínos e aves, por exemplo, ter linhas de base definidas agora, quando eles fizeram tanto nos últimos dez anos – precisamos então de uma linha de base adequada, que reflita essas diferenças”, disse.

“Em cinco anos, a indústria de carne bovina provavelmente parecerá que se está a sair melhor do que as outras numa base de redução percentual, mas isso é porque muito terreno foi coberto por outras indústrias”, alertou.

Fortalecimento da comunicação entre pares

Uma coisa que destacou foi a necessidade de fortalecer a comunicação entre pares – algo que diz ter ajudado a reduzir a prescrição e o uso de antibióticos.

“Vimos grandes melhorias através da partilha de melhores práticas com recurso a grupos de discussão de agricultores, e isso é algo que pode ser alcançado tanto numa base regional, como entre os países”, disse, acrescentando que vê muito potencial em intercâmbios semelhantes entre agricultores de diferentes países da UE, como entre a Itália, a Suíça e a França.

E destacou também que mais trabalho deve ser feito para dar aos agricultores as ferramentas para medirem o seu progresso e incentivar a melhoria.

“Se não podemos medir, simplesmente não sabemos se melhoramos ou pioramos”, enfatizou, acrescentando que métricas de sustentabilidade adequadas são necessárias nas explorações, o que tem sido objeto de intenso debate.

“Não podemos necessariamente usar uma abordagem de tamanho único, que pode não capturar todas as nuances nas explorações. Em vez disso, podemos estar a falar sobre um conjunto de métricas que podem ser usadas para ajustar algumas explorações melhor do que outras ”, disse.

Uma coisa que deixou clara, porém, foi a necessidade de digitalizar o setor para enfrentar os desafios atuais.

“Temos que aceitar que, enquanto indústria, temos que ser mais transparentes, mais abertos e temos que ser capazes de quantificar o progresso que estamos a fazer, qual o nosso uso de antimicrobianos, qual a nossa pegada de carbono. Teremos, absolutamente, que tornar mais cientes dos dados, mais informatizados”, enfatizou.

Isso ajudará o setor a unir os pontos entre as métricas de saúde animal e sustentabilidade, incluindo o uso de antibióticos, mas também em termos de emissões de gases com efeito de estufa e o uso de água, disse.

“De momento, existem lacunas consideráveis nos dados, o que significa que não podemos quantificar e comparar o efeito entre as doenças, e não podemos vinculá-las ao custo económico ou ambiental”, disse, acrescentando que, de um modo geral, vão interagir juntos de uma “forma realmente positiva”.

Sem evidências quantificáveis de benefícios, “os agricultores com mentalidade empresarial não estarão inclinados a mudar”, frisou Capper.

Capper disse ainda que, além de mais dados das explorações, são também necessários dados de toda a indústria, para identificar as áreas com potencial para grandes ganhos, em comparação com as doenças, que continuarão a precisar de tratamento.

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Tweet: https://twitter.com/animalhealthEU/status/1306886544867852288?s=20

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“Vimos grandes melhorias através da partilha das melhores práticas com recurso a grupos de discussão de agricultores”

@Bovidiva destaca conquistas no #UsoResponsável de antibióticos na agricultura no

@EURACTIV

 # EUFarm2Fork #GadoSustentável

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Notícia original:

Targets for anti-microbials must allow for ‘massive’ variation within livestock sector

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