Mitos deixam animais e donos mais vulneráveis


Informação imprecisa e escassa, custo elevado e a adoção de terapêuticas alternativas explicam hesitação dos donos na hora de vacinar.

É o primeiro reflexo no mundo animal do movimento antivacinação que no Homem – ou entre os donos – reforça doenças que se acreditavam erradicadas.

No início do ano, a Organização Mundial de Saúde considerou a conspiração antivacinas como uma das dez principais ameaças à Humanidade. E os animais não escapam ao impacto do movimento.

Cada vez mais europeus hesitam quanto à vacinação de animais domésticos. O cenário traçado pela AnimalhealthEurope – organismo que representa a indústria farmacêutica para a saúde animal na Europa – encontra fundamento nos elevados custos associados à vacinação, na adesão a terapêutica alternativa e na contrainformação corrente relativa àquele método preventivo.

“Existem vários mitos: desde logo que a vacinação não funciona, depois que os efeitos secundários anulam os potenciais benefícios ou que a vacinação animal não tem impacto na saúde humana. Mais, afirmam que existem resíduos de vacinas nos alimentos que ingerimos ou que a exposição à doença fortalece o sistema imunitário”, afirma Jorge Moreira da Silva, presidente da Associação da Indústria de Medicamentos Veterinários (APIFVET), para quem a vacinação de animais de companhia “salvou”, comprovadamente, um número significativo de espécies e “vidas humanas”, apostando no controlo e erradicação de doenças como a raiva e leptospirose.

A capacidade de circular naturalmente entre animais e Homem define zoonoses, como a toxoplasmose – a ‘doença do gato’ que aterroriza as grávidas – ou a leishmaniose.

“Portugal é um excelente exemplo de uma estratégia bem conseguida para a erradicação de uma zoonose, a raiva. Porque a vacinação dos cães é obrigatória há vários anos, hoje a raiva é uma doença erradicada. No Mundo morrem cerca de 70 mil pessoas por ano devido à raiva. A doença está ainda presente em 2/3 dos países”, nota o especialista.

Nos animais de produção, “devido a uma estratégia bem conduzida pelos organismos oficiais”, a febre aftosa foi eliminada.

“Educação contínua no setor”
Jorge Moreira da Silva, presidente da APIFVET
CM – Os donos de animais domésticos estão mais consciencializados para a importância de vacinar?
Jorge Moreira da Silva – Sim, mas deve haver uma educação contínua por parte de todos os intervenientes do setor para evitar que informações que circulam nas redes sociais ou na internet coloquem em risco um ato vital para o bem-estar e saúde animal.
– A informação disponível é adequada?
– A informação a nível dos profissionais de saúde animal é adequada, mas a nível do grande público não é suficiente.
– De que forma a vacinação preventiva se traduz no uso de medicamentos?
– A profilaxia vacinal, entre outras medidas, é fundamental para uma estratégia da redução do consumo de antibióticos, quer nos animais de produção, quer nos animais de companhia.

Fonte: CMJORNAL 


Membros da

Política de Privacidade
Todos os direitos Reservados @ APIFVET 2018